Dinâmicas de Grupo: uma via de expressão da linguagem escrita e verbal, caminhos para a subjetividade.

{…}Focando em intenções e aspectos subjetivos da linguagem, a tradição expressiva retrata a linguagem como uma expressão da subjetividade humana, um desdobramento de perspectivas humanas. (MEDINA, 2007, p. 52)

Uma das necessidades humanas é a de pertencer, uma necessidade de vincular-se a um grupo mediante relações afetivas, onde a comunicação é a base para estabelecer vínculos.

Bakhtin (1974) vem nos falar que no movimento de abrir-se para o outro, o sujeito sempre permanece também para si. Todavia neste existir, em que o ser da expressão é bilateral, ou seja, só se realiza na interação de duas consciências (a do eu e a do outro), faz-se importante e necessário a penetração mútua, porém com a manutenção da distância, em respeitos aos espaços de cada um.

Através das dinâmicas de grupo, pretende-se que as pessoas possam descobrir-se na sua identidade e nos seus valores. E, nos grupos possam acontecer formas mais humanas e construtivas de convivência.

Nas palavras de Andreola (1986), a história da humanidade está muito marcada pela competição de uns contra os outros. Os homens precisam descobrir que a dialética de sua trajetória não é a da competição, mas a do encontro. O “eu” e o “tu” reclamam, como exigência de vocação fundamental do homem, a síntese do nós.

Assim através das Dinâmicas de Grupo, associada ao uso da comunicação escrita e falada,  pretende-se fazer uma escuta ativa. Nas palavras de Weinberg e Gould (2008),  Escuta ativa, refere-se à habilidade de prestar atenção a ideias importantes e sustentadoras, acusar recebimento e responder, dar retorno adequado e prestar atenção à comunicação total do interlocutor. Faz parte desta escuta a comunicação não verbal.

Em minha experiência junto aos atletas observei a riqueza da linguagem escrita e falada, onde através da qual se observa uma estrutura cognitiva rica de conteúdos inconscientes. Partindo dos registros individuais relativos às dinâmicas, vislumbra-se a necessidade de uma escuta, nessa escuta vê-se que em uma palavra pode estar contido um mundo, nos espaços vazios uma dor que se quer negar.

De todas as coisas que podem fazer um indivíduo sentir-se aceito, importante e útil, nenhuma é mais vital do que ser ouvido. Se quiser realmente que as pessoas confiem em você, deve fazer um esforço concentrado para escutá-las. A boa escuta demonstra sensibilidade e encoraja uma troca aberta de ideias e sentimentos. (WEINBERG e GOULD, 2008, p. 254).

Referências:

ANDREOLA, Balduíno A. Dinâmica de Grupo: Jogo da vida e didática do futuro. 4. Ed. Petrópolis: Vozes, 1982.

Bakhtin, Mikhail.  Estética da Criação Verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

MEDINA, José. Linguagem: conceitos-chave em filosofia. Tradução: Fernando José R. da Rocha. Porto Alegre: Artmed, 2007.

WEINBERG, Robert S., GOULD, Daniel. Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.

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