SELEÇÃO BRASILEIRA: o reflexo dentro das 4 linhas

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Copa 2014 no Brasil, uma Copa de muitas vivências, de sorrisos, de lágrimas, aprendizados, de emoções inexplicáveis e  inesquecíveis para todos que amam futebol.

Um evento que mobilizou o mundo, que atingiu o espaço, que atravessou fronteiras. A magia de reunir em um mesmo local, a Arena, diversas etnias, protagonistas de uma diversidade cultural fantástica, acolhidas pelo povo brasileiro com sua alegria e hospitalidade, a qual surpreendeu e encantou diferentes nações.

A emoção é biológica, a qual desencadeia em nós sentimentos diversos, que vai da mais profunda euforia, até uma tristeza que nos consome, uma raiva que explode, uma apatia que nos paralisa, etc…O cuidado que devemos ter é mantermos um equilíbrio entre razão x emoção, o que nem sempre é possível. O perigo de nos deixarmos levar pela emoção é ficarmos com uma percepção deficiente, como se estivéssemos com uma névoa no olhar. Portanto, em demasia, ficamos cegos, perdemos a racionalidade, o que muitas vezes acontece em um jogo de futebol, responsável pela violência.

E por falar em equilíbrio, podemos dizer que o que vimos da seleção brasileira dentro das 4 linhas, é um reflexo do que vivenciamos em nosso país, sim um Brasil em crise.

Convido-os a uma viagem do micro-sistema para o macro-sistema, a fim de fazermos uma analogia, a começar pela família, primeiro núcleo social, de relações interpessoais, estilo de liderança, de características diversas e de necessidades a serem atendidas. Pois bem, desde que nascemos apresentamos emoções e necessidades de sobrevivência, assim como comer, beber, dormir. Se este sistema não atender nossas necessidades primeiras já teremos conflitos. Pela dinâmica familiar, comportamentos e humor dos filhos, conseguimos perceber se há uma relação saudável ou não neste núcleo familiar.

Da mesma forma, podemos analisar municípios, estados e por fim, o país. Os sistemas apenas se ampliam, todavia permanecem as relações interpessoais, estilos de liderança, diferentes aspectos e diferentes necessidades a serem analisadas e atendidas. Fundamental após um planejamento e um plano de ações à curto, médio e longo prazo, traçar  prioridades e efetivamente executá-las.

Partindo das considerações anteriores, a fim de ampliarmos a nossa compreensão acerca das necessidades dos indivíduos, entende-se que a teoria de Maslow, a qual apresenta a Pirâmide das Necessidades Humanas, vem ilustrar muito bem esse pensar, bem como é um modelo que oferece muitas questões para o esporte e para a vida como um todo.

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Para Vanfraechem-Raway (org. Becker Jr.2002), o modelo de Maslow vem nos dizer que é preciso satisfazer essas necessidades básicas para que o ser humano possa atingir seu pleno desenvolvimento.

Para Samulski ( 2009), quanto à hierarquia das necessidades humanas, o motivo mais desejado na vida é a auto-realização, sendo que, existem várias possibilidades de auto-realização no esporte, entre elas, o domínio de movimentos ou o alcance do limite de rendimento.

Chegamos novamente na seleção brasileira de futebol dentro das 4 linhas. O que vimos?…Vimos desorganização, fragilidade emocional, individualismo, estrutura inconsistente.  Vimos um futebol em crise, com seus atores vulneráveis, reflexos de um país em crise. E agora?…Haverá realmente as mudanças necessárias no futebol e no país, como um todo? …Porque a mudança deve começar por nossos governantes, deve-se mexer no topo da pirâmide, em consequência teremos o efeito dominó: uma pedra se move e todas as outras serão atingidas.

Abraço afetuoso a todos!

Angela Antoneli

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